Otites em Pequenos Animais

5 Fevereiro 2019

Com uma prevalência que pode chegar a um quinto dos animais consultados, a otite é uma doença muito frequente, embora mais comum em cães do que em gatos. Pode implicar apenas um ou ambos os ouvidos, causa desconforto e em situações mais graves pode provocar alterações neurológicas e/ou da audição.

 

Causas
São múltiplos os factores que podem levar ao desenvolvimento de otite no cão e no gato. Quase sempre a irritação da pele do canal auditivo provoca inflamação o que
resulta num aumento da produção de cera e na criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento de leveduras (fungos) e bactérias (que habitam o canal auditivo).
Estes microrganismos, por sua vez, causam prurido e agravam ainda mais a inflamação. Além destes, também parasitas, nomeadamente ácaros, corpos estranhos (como por exemplo, praganas) e doenças alérgicas podem causar otite.
Por outro lado, algumas raças, especialmente aquelas com orelhas caídas, como o Cocker Spaniel, ou com muito pêlo no pavilhão auricular, como o Caniche, são especialmente predispostas ao aparecimento da doença. Limpezas frequentes e agressivas do ouvido ou presença de pólipos também podem estar na origem desta patologia.

Sintomas
Os sintomas variam consoante a gravidade do quadro clínico. Os mais comuns incluem inclinar e abanar a cabeça, coçar e sentir dor à manipulação das orelhas. Quando o prurido é muito intenso, ao sacudir as orelhas e ao coçar, pode haver rotura de vasos do pavilhão auricular, produzindo-se um inchaço do mesmo por hematoma (otohematoma). Além disto, os ouvidos com infecção geralmente apresentm um odor desagradável, podem ter corrimento e estão avermelhados.

Diagnóstico
O diagnóstico de otite é feito com base nos sintomas, história clínica, observação do canal auditivo (com otoscópio) e outros exames complementares como observação microscópica da cera do ouvido, análise laboratorial do material produzido no ouvido, análises sanguíneas, testes para despiste de alergias, RX, TC ou a Ressonância Magnética. .

Tratamento
O tratamento desta patologia varia com a causa da otite e com a gravidade da sintomatologia. Este inclui sempre limpeza do canal auditivo (eventualmente sob anestesia geral), remoção de corpos estranhos (se existentes) e eventualmente tratamento no ouvido (com gotas) e medicação oral. Em casos mais extremos a terapêutica pode ser cirúrgica. Qualquer que seja o tratamento, é importante reavaliar ao longo do mesmo e mantê-lo até ao final. Parar a medicação antes do tempo, ainda que o animal pareça bem, pode levar ao reaparecimento da doença ou à sua continuação de forma crónica, com consequências por vezes irreversíveis.

Prevenção
Em raças com maior tendência à ocorrência de otite, em animais com excesso de produção de cerúmen ou em animais com história prévia de otite pode ser necessário limpar o ouvido de forma preventiva com produtos específicos para a limpeza auricular.
São também importantes cuidados adicionais como, por exemplo, manter os ouvidos secos durante os banhos (para tal, podemos por exemplo colocar algodão na entrada do ouvido durante os mesmos) e fazer controlos regulares no médico veterinário.