Dermatite Atópica Canina – Será que o meu cão é alérgico?

21 Maio 2019

A dermatite atópica canina ou simplesmente atopia é uma das doenças dermatológicas mais frequente nos cães (estima-se que 15% dos cães sejam afetados) e define-se como uma inflamação da pele que provoca forte comichão (prurido). O desconforto é grande e, como tal, afeta negativamente tanto a qualidade de vida do animal como do dono.

Causas

         Esta é uma patologia com alguma complexidade, para a qual contribuem fatores parasitários, genéticos e ambientais. O que acontece é que, nos animais afetados, por um lado, o sistema imunitário reage exageradamente a alguns estímulos (alergénios) ambientais (por exemplo, ácaros, esporos de fungos, pólens, poluição...) e, por outro, a própria pele perde a sua habitual capacidade de defesa e torna-se mais sensível a estes mesmos estímulos.

         Por ter uma componente genética, a atopia afeta maioritariamente animais de determinadas raças, nomeadamente Pastor Alemão, Boxer, Terrier, Chow-Chow, Shar-Pei Labradores, Golden Retriever, Caniche, Dálmata e Bulldog. Apesar de mais comum em cães, também afeta gatos.

Sintomas

                Os principais sintomas da doença são então a inflamação e o prurido, o que se traduz numa pele avermelhada e que o animal tem vontade de coçar, que pode ser tão grande que leve ao aparecimento de feridas (podem surgir arranhões, erupções e infeções cutâneas). As lesões surgem preferencialmente nas zonas do corpo em que a densidade do pêlo é menor, ou seja, virilhas, abdómen, face interna das coxas e espaços entre os dígitos, mas também lábios, cotovelos e em redor dos olhos.

         Além destes podem surgir sintomas como: otite externa (muitas vezes o primeiro sintoma), conjuntivite, perda de pêlo (alopécia), pele seca e descamativa, escurecimento e espessamento da pele, alteração da cor do pêlo pela saliva, rinites (com espirros e corrimento nasal) e inflamações dos sacos anais. Em consequência do desconforto causado pelo prurido pode também ocorrer uma diminuição da atividade do animal. Muitos cães atópicos sofrem também de alergia à picada da pulga e de alergias alimentares.

         Em alguns animais este é apenas um problema sazonal, surgindo sobretudo na Primavera mas outros animais são afetados durante todo o ano. Com o tempo e sem a terapia adequada, a tendência é o quadro agravar-se progressivamente, originando crises mais longas e agressivas. Os primeiros sintomas da doença surgem geralmente entre o 1 e os 5 anos mas em casos excecionais podem começar a notar-se a partir dos 3 meses de idade ou mesmo em animais com idades mais avançadas.

Diagnóstico

                Depois de uma observação cuidada, o veterinário baseia-se geralmente na sintomatologia apresentada para estabelecer um diagnóstico. Contudo, a maioria dos sintomas da dermatite atópica são comuns a outras doenças de pele, sendo necessário descartar todas as outras causas possíveis antes de se alcançar um diagnóstico definitivo.

         Adicionalmente, o médico veterinário pode também recorrer a despistes de alergias, tal como acontece com os humanos, de forma a encontrar os alergénios que produzem maior reação no animal.

Tratamento e Prevenção

         Mais do que um medicamento único, na dermatite atópica, o sucesso resulta geralmente de uma abordagem multifatorial que é possível manter a longo prazo. Esta é uma patologia que lamentavelmente não tem cura, ou seja, persiste durante toda a vida do animal, sendo o principal objetivo o seu controle. Para tal, o compromisso do proprietário com o bem-estar do animal e o empenho do médico veterinário são determinantes.

         Tradicionalmente, o tratamento da dermatite atópica pode ir desde tratamento local com cremes ou sprays a medicação oral, incluindo frequentemente imunomoduladores, anti-histamínicos e/ou corticosteroides, que em utilizações prolongadas podem produzir efeitos secundários adversos. Mais recentemente, surgiu uma nova geração de medicamentos injectáveis que actua no sentido de bloquear o prurido e que praticamente não apresenta efeitos secundários. A imunoterapia específica, à semelhança do que acontece na medicina humana, também pode ser uma opção, embora geralmente mais dispêndios e de resultados um pouco mais lentos.

         Além disto, medidas como manter uma boa higiene do animal (com escovagens frequentes para remover seborreia seca e detritos e banhos mais frequentes) e das camas (lavando frequentemente mantas e colchões), prevenir os parasitas externos, garantir uma dieta adequada (muitas vezes hipoalergénica ou analergénica) e escolher um período adequado para passeios (na Primavera, por exemplo, evitar passeios ao início da manhã ou de tarde por haver mais pólens no ar e no Outono evitar zonas montanhosas) são também essenciais.